Quem um dia foi capaz de ouvir a
história do próprio cacho?
Perco-me em
devaneios e quando não os beijo na fixação do sentimento, os meus cachos os
abraçam e deixam que se tornem a própria célula, assim cada milímetro do seu
caminho se trata de uma história.
Muitas vezes me
vi sozinho no meio de todos e quando me perdi na imensidão do vazio, lá
estavam, os meus cachos a me acolher e aceitar! Porém eles não são comportados,
nunca desejaram ser previsíveis e de fácil interpretação, e para isso são
incontroláveis e personificáveis!
Cada qual com a
sua vida particular, onde elas são pedaços meus que não merecem ser jogados aos
quatro ventos. Por isso são agarrados e guardados como pepitas de ouro,
encontradas no meio de um montante de areia.
Toco-os para
senti-los vivos e assim desenrolo cada aflição, cada momento pesado que não
soube carregar, libertos no momento mais meditativo e simples.
São eles os
meus confidentes, eles que tanto recusei, mas agora me abraçam com ternura e
agarram meus monstros para eu poder aprendê-los na solidão.
E quem nunca teve um cacho para
se guardar?