sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Todo cacho tem sentimento!


Quem um dia foi capaz de ouvir a história do próprio cacho?

Perco-me em devaneios e quando não os beijo na fixação do sentimento, os meus cachos os abraçam e deixam que se tornem a própria célula, assim cada milímetro do seu caminho se trata de uma história.

Muitas vezes me vi sozinho no meio de todos e quando me perdi na imensidão do vazio, lá estavam, os meus cachos a me acolher e aceitar! Porém eles não são comportados, nunca desejaram ser previsíveis e de fácil interpretação, e para isso são incontroláveis e personificáveis!

Cada qual com a sua vida particular, onde elas são pedaços meus que não merecem ser jogados aos quatro ventos. Por isso são agarrados e guardados como pepitas de ouro, encontradas no meio de um montante de areia.

Toco-os para senti-los vivos e assim desenrolo cada aflição, cada momento pesado que não soube carregar, libertos no momento mais meditativo e simples.

São eles os meus confidentes, eles que tanto recusei, mas agora me abraçam com ternura e agarram meus monstros para eu poder aprendê-los na solidão.

E quem nunca teve um cacho para se guardar?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Perdoe-me a eloquência.


Cessa-se a beleza do outro, pois não me alimento de matérias.

Que morra a sabedoria, pois vivo de sentimentos.

Não entendo aonde chegarei com essa fome pelo saber que tanto me cativa e excita a minha necessidade. Porém vejo-me preso em uma via bifurcada, pois não sinto a minha razão querendo me acompanhar no caminho que desejo escolher, tampouco as minhas emoções para o infinito.

Há um estigma para os sábios, todos foram infelizes quando se tratava do amor e não me arrisco a perder o que mais almejo! Aliás, acredito que eu possa trilhar o meu caminho pelo irracional. Sim! Quantos não se entregaram aos desejos da alma?

Mas o que entendo por alma? Se não é apenas um ectoplasma que armazena os meus dados e depois se dissipará no infinito do invisível?

Prolongo demais a minha necessidade, entendo o que devo fazer para prosseguir, porém tenho medo de abdicar de todo o meu ser para conseguir apenas uma dose do néctar mortal. Deixe-me embebedar, sim quero sentir a ressaca violenta e não conseguir mover os meus membros por falta de força vital.

Sinto-o chegando, sim o meu caminho! Eu o encontrei!! Adeus senhores da verdade e donos da alma, pois achei o que devo fazer da vida e sinto-me vivo por saber disso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O erro vicioso


Encontro-me vagando no deserto e dentre dunas vejo pedaços de um ser. Ser esse que está fragmentado por toda uma vastidão de nada, areia e calor. Aos poucos coleto essas partes e vou me preenchendo e descubro que são pedaços do meu EU.

Caminhei por toda uma vida não vivida e descobri que entrei em um ciclo vicioso de conformidade, rebeldia e abatimento! Durante a minha breve jornada procurei sempre me entender para saber quais respostas dar para as pessoas quando eu fosse questionado sobre os segredos da vida... Bem, claro que seriam interpretações minhas, mas até lá... porém a minha verdade aos poucos foi sendo destruída e com ela toda a formação de um caráter se vai!


Acreditei estar caminhando para o lugar certo, vejo algo ao fundo, porém posso estar indo diretamente para o meu fim.

A minha verdade não se encontra estruturada e isso abala a minha tentativa de viver. Mas afinal quando eu realmente vivi? Ter uma ideia sobre o mundo, adotá-la e representá-la é viver?

Por muito tempo achei ter feito o certo sobre a minha vida, porém vejo-me perdido nessa realidade sofrida e tão calorosa quanto um amor materno, que nos piores momentos nos salva. Fechei-me para a realidade e para os que me contrariam e sinto-me perdido no meio da selva, entre animais que se movem sob o comando da necessidade e outros que usam da capacidade mental para superarem a capacidade do outro.

Onde errei?

Sinto a necessidade de isolar-me da vida e aprender, junto da solidão, o meu erro e receber a consequência.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quebrei a inércia.



Não sei onde me perdi... quem sabe nunca me achei?

Vejo pessoas andando de um lado ao outro, se trocando e buscando a roupa que mais se enquadra para a situação, pessoas bebendo e deixando que o líquido com a substância tão descontroladora quanto um comprimido para insônia, que o dopa, o domine...

Porém vejo uma pessoa, sim no singular, não sabendo o que fazer com a própria presença que se apaga e não solta nenhuma faísca. Essa pessoa sou eu! Agora o que faço com a matéria que está inerente no espaço-tempo, apenas absorvendo dos próprios não-sentimentos gerados de presenças efêmeras e alegorias,  preparadas para elevar ao nível mais sublime de gozo dos demais sobreviventes, da própria sentimentação? Deixo-me inerte, pois logo mais não será preciso esconder a minha não felicidade.

Chegado o momento, não sou capaz de formular pensamentos. Estou morto? Não! Sei que respiro e vejo pessoas ao meu redor, mas não estou vivo.

Mas...

Descobri o segredo de viver, sim! agora sei que não posso mais levar o que passa por mim e pela minha pele puxando-a aos poucos para o fim do que hoje afirmo que é passageiro, devo de fato viver!

Sinto-me queimar, talvez seja a minha essência gritando, agora que foi descoberta dentre sentimentos vagos e pouco solucionados.

Não, não me perdi, mas a minha essência se escondeu para eu acha-la e descobrir qual o sentido da minha vida!

Adeus mundo resolvi viver!