Uma primavera se passou desde
que deixei meu âmago controlar meus tatos extremos e desbravar a desabafar. Hoje
venho apenas sentir o gosto do que eu já disse, sentir o aroma de fragrâncias
derramadas e lembrar o que as derrubou. Vim reforçar minha capacidade repulsiva
em evitar sentimentos falsos. Vim dizer que já não alimentarei fantasmas
sedentos pelo meu amor.
Aliás, o que é o amo que sinto?
Já questionei-me sobre o amor
que tenho, mas a primavera se acaba e eu me perco no que um dia acreditei ser
amor e se ainda o acredito.
Não o cultivei e por isso não
fui merecedor? Flores nascem, pois o vento as espalha, e por isso o fiz,
espalhei meu amor para cada um que se aproximou de mim.
Frágil? Falso? Insuficiente?
Talvez, mas o que tenho é
infinito, sinto o calor amansar-se, mas isso não é o suficiente para apaga-lo,
pois sei que enquanto não ter o beijo de paixão do anjo da noite, terei esse
fogo dentro de mim.
Afinal, sou um piromaníaco.
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