sábado, 4 de janeiro de 2014

Piromania



Uma primavera se passou desde que deixei meu âmago controlar meus tatos extremos e desbravar a desabafar. Hoje venho apenas sentir o gosto do que eu já disse, sentir o aroma de fragrâncias derramadas e lembrar o que as derrubou. Vim reforçar minha capacidade repulsiva em evitar sentimentos falsos. Vim dizer que já não alimentarei fantasmas sedentos pelo meu amor.

Aliás, o que é o amo que sinto?

Já questionei-me sobre o amor que tenho, mas a primavera se acaba e eu me perco no que um dia acreditei ser amor e se ainda o acredito.

Não o cultivei e por isso não fui merecedor? Flores nascem, pois o vento as espalha, e por isso o fiz, espalhei meu amor para cada um que se aproximou de mim.

Frágil? Falso? Insuficiente?

Talvez, mas o que tenho é infinito, sinto o calor amansar-se, mas isso não é o suficiente para apaga-lo, pois sei que enquanto não ter o beijo de paixão do anjo da noite, terei esse fogo dentro de mim.


Afinal, sou um piromaníaco.

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