Respiro.
Ando.
Vivo.
E sigo...
Quantas vezes morri, sob o pesar pelejado de seres já
torturados por uma vida cruel criada por eles, e até por mim? Ou quantas vezes
eu me matei para ter de me adaptar as imposições que criei?
Hoje sinto que a cada dia aprendo, o que é viver. Respiro. Ando.
Vivo. Mas faço isso me aprofundando na minha própria escuridão, tentando
encontrar uma explicação para o que sou, como um gato curioso que com o seu
olhar de criança enérgica, olha tudo e a todos com a maior delicadeza e
investida possível, para no fim de tudo saber o que se pode obter com o que já
foi um dia um mistério. Não me compreendo, não sei o que é núcleo, mas adoro a
palavra ‘Vomitar’.
Mas o que vomitar tem a ver com a minha história? Tudo! Consegue
perceber a beleza da palavra vomitar? A sutileza que ela começa com um VO, onde
a sua boca se abre em um bico pontudo e termina com um TAR, sua boca aberta
soltando tudo o que lhe afligia e estava guardado nas mais profundas entranhas
que um ser vivente pode ter.
Guardo sentimentos pouco explorados, onde um leve toque pode
despertá-los para um REM consciente no Nirvana, ou até serem tragados para o
mais obscuro Tártaro e esquecer-me que tê-los é de suma importância para a
minha sobrevivência.
Sinto que os dias se passam, minha vida corre, mas me
estanco no mesmo lugar sem saber como prosseguir, porém vejo outros seres
passando por mim, esses sim sabem o que é viver, prosseguem a vida deixando
marcas nela e com isso tecem o fio do infinito sob os olhares de cada respiro.
Prolonguei-me e prolongo, não tenho sentido para prosseguir,
não sei que passo dar, tampouco quem me guia, mas um sopro me levita de dentro
e sei que vou seguindo até encontrar no fim do meu esôfago... Eu. Sim vomito
tudo o que posso, mas aquilo que consigo sem deixar que a mais leve, porém
pesada serifa fique guardada em mim,
pronta para rasgar-me quando eu estiver distraído.
Sigo.
Vivo.
Ando.
E respiro...
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