Cortinas baixam, aplausos enchem o
ambiente, mas a máscara cai e num piscar de olhos a vida que você apresenta e
acredita que vive se vai como um dama-da-noite que exala o seu doce perfume
poucas vezes e só durante a noite, para apenas os sonhadores e noturnos poderem
apreciá-la sob a luz da lua.
O que se vê pode ser simplesmente
belo, mas uma beleza singular daquelas que só se encontra nos diamantes mais
brutos.
Baixo a minha máscara nos bastidores,
mas arrisco mostrar o que guardo para todos. Se sou estúpido por tal ato? Talvez,
mas todo ator tem o direito de jogar a sua alma para o público devorar e
preencher o vazio que neles se encontra. Decidi que não mais ficarei abatido
com amores falsos e esperanças vagas, pois uma vez criadas só há a dor do
incompleto para ambas.
Descubro que sou despreparado para a
vida, não sou digno de olhar a tudo e todos com os meus olhos de amante
apaixonado, mas sim de um velho que vê na própria incapacidade a salvação do
seu EU.
Enrolo-me em dizer o que quero, pois
não é fácil me deliciar com o doce beijo da morte efêmera, preciso deliciá-la
com a delicadeza de um cego que ganha à oportunidade de enxergar o que antes
era apenas resumido ao nada.
Abraço-te morte escarlate que busca do
meu sopro para a felicidade rápida.

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