sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O doce beijo da morte


Cortinas baixam, aplausos enchem o ambiente, mas a máscara cai e num piscar de olhos a vida que você apresenta e acredita que vive se vai como um dama-da-noite que exala o seu doce perfume poucas vezes e só durante a noite, para apenas os sonhadores e noturnos poderem apreciá-la sob a luz da lua.

O que se vê pode ser simplesmente belo, mas uma beleza singular daquelas que só se encontra nos diamantes mais brutos.

Baixo a minha máscara nos bastidores, mas arrisco mostrar o que guardo para todos. Se sou estúpido por tal ato? Talvez, mas todo ator tem o direito de jogar a sua alma para o público devorar e preencher o vazio que neles se encontra. Decidi que não mais ficarei abatido com amores falsos e esperanças vagas, pois uma vez criadas só há a dor do incompleto para ambas.

Descubro que sou despreparado para a vida, não sou digno de olhar a tudo e todos com os meus olhos de amante apaixonado, mas sim de um velho que vê na própria incapacidade a salvação do seu EU.

Enrolo-me em dizer o que quero, pois não é fácil me deliciar com o doce beijo da morte efêmera, preciso deliciá-la com a delicadeza de um cego que ganha à oportunidade de enxergar o que antes era apenas resumido ao nada.

Abraço-te morte escarlate que busca do meu sopro para a felicidade rápida.




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