Encontro-me vagando no deserto e
dentre dunas vejo pedaços de um ser. Ser esse que está fragmentado por toda uma
vastidão de nada, areia e calor. Aos poucos coleto essas partes e vou me
preenchendo e descubro que são pedaços do meu EU.
Caminhei por toda uma vida não
vivida e descobri que entrei em um ciclo vicioso de conformidade, rebeldia e
abatimento! Durante a minha breve jornada procurei sempre me entender para
saber quais respostas dar para as pessoas quando eu fosse questionado sobre os
segredos da vida... Bem, claro que seriam interpretações minhas, mas até lá...
porém a minha verdade aos poucos foi sendo destruída e com ela toda a formação de
um caráter se vai!
Acreditei estar caminhando para o
lugar certo, vejo algo ao fundo, porém posso estar indo diretamente para o meu
fim.
A minha verdade não se encontra
estruturada e isso abala a minha tentativa de viver. Mas afinal quando eu
realmente vivi? Ter uma ideia sobre o mundo, adotá-la e representá-la é viver?
Por muito tempo achei ter feito o
certo sobre a minha vida, porém vejo-me perdido nessa realidade sofrida e tão
calorosa quanto um amor materno, que nos piores momentos nos salva. Fechei-me
para a realidade e para os que me contrariam e sinto-me perdido no meio da
selva, entre animais que se movem sob o comando da necessidade e outros que usam
da capacidade mental para superarem a capacidade do outro.
Onde errei?
Sinto a necessidade de isolar-me
da vida e aprender, junto da solidão, o meu erro e receber a consequência.
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